terça-feira, 20 de julho de 2010

asteróides verdes e fritos




Foi numa viagem a Saturno que encontrei pela primeira vez um Jupiteriano. Tive que fazer uma escala lá, aproveitei pra dar um rolê rápido, sacumé, né?

Sempre me falaram que eles eram grandes por lá, mas nunca imaginei que tão grandes. Pra você ter uma idéia, o pé de um jupiteriano tem o tamanho de um carro 1.0 popular aí na Terra. O que pros nossos padrões pode não ser muito grande pra um carro, mas te garanto que quando se trata dum pé, o sentimento é outro.

Eles não são muitos. Como sabem, o planeta é enorme, talvez pra fazer jus aos seus habitantes, só que é em grande parte gasoso. O que pros jupiterianos não é muito problemas, já que de alguma forma eles conseguem "nadar" em meio a esses gases densos da atmosfera bizarra do planeta. O que eles fazem de forma bastante... curiosa. Eles não simplesmente nadam, eu definiria mais como uma dança sincronizada entre polka e o frevo. Junte isso a gigantes de um olho e a sutilieza dum hipopótamo e... bem, acho que dá pra imaginar.

Bom, como eu disse, são poucos, e eu conheci um deles, Nibamol, sujeito simpático. E por incrível que pareça, arranha muito bem o português, disse ele que essa região da Terra é muito conhecida pela galera de lá: é um pessoal mais caloroso, mais bacana, menos preocupado, enfim... Perguntou do Carnaval e do Ronaldo, batemos um papo tranquilo, descompromissado. Quando tive de partir ele me pediu pra ir junto. Olha, minha nave não era das maiores, mas tava mais que bom pro tamanho do Nibamol. Que é grande mas duma simpatia que cativa, sabe? Cara bacana, meu!

Fomos a caminho de Saturno e ele me perguntou porque estava indo até lá. E até aí tava tudo muito bem. Quando disse que estava indo buscar um dos anéis de Saturno pra pedir minha namorada em casamento, ele caiu pra trás de tanto rir. Achei uma falta de respeito. Sabe? Pô, tava dando uma carona, me abri com ele ali. A gente nem se conhecia tão bem pra ele vir tirar sarro. Mandei um papo reto nele. Disse que queria casar e que tinha prometido um anel de Saturno pra ela. E que não havia quem me impedisse.

Foi aí que ele me falou que havia sim. Os anéis de Saturno pertenciam a um polvo cujo o nome não sei pronunciar até agora. E que ele não abria mão de nenhum deles. Comecei a ficar preocupado, quando o próprio Nibamol me acalmou. Ele disse que conhecia um jeito e que havia de dar certo. Mas que pra isso eu teria que lhe prometer que quando eu casasse a noiva jogasse o buquê tão forte, a modo que caísse em Júpiter, nas mãos de Kitunái, a mais bela jupiteriana. Que se caísse ela teria de se casar com ele. E assim eu lhe prometi. Nibamol me contou que pra pegar os anéis do polvo bastaria eu distraí-lo, com comida. E não poderia ser qualquer uma. O polvo gostava de comer pedras e não eram quaisquer pedras, gostava de comer esmeraldas que eram expelidas dos vulcões de Urano. E se eu conseguisse lhe trazer algumas, haveria tempo para retirar um anel do polvo antes que ele percebesse. E assim fiz. Quando o polvo começou a devorar as esmeraldas, houve a brecha que eu precisava pra pegar um dos anéis, peguei o mais bonito e logo fomos embora.

No meio do caminho ouvimos o polvo gritar, enfurecido, pela falta de um dos seus anéis, mas já estavamos longe o bastante pra ele não nos fazer mal. Com o anel em mãos, minha namorada se casou comigo e como combinado jogou o buquê tão forte que caiu na mão de Kitunái, que se casou com Nibamol, que também buscou um anel de Saturno para lhe dar.

E aí o polvo nem mais ligou. Viu que se por um ou dois anéis pudesse haver tanta alegria, que só o deixassem com um, para ele também poder ser feliz. Os outros ele deu pro universo. E estão por aí pra serem achados.

2 comentários:

luluba disse...

Pô daora o conto ein =D

Diego Belini disse...

ha! Que legal, boa historia, daria pra fazer um filme, ou melhor ainda, um game de aventura =D... só achei que um pouco depois do meio pro fim, ficou tudo meio corrido, parecia que queria terminar logo a historia... mesmo assim ficou ótimo, gostoso de lêr...