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sexta-feira, 1 de abril de 2011

a história de um sapo e uma abelha e os fatos decorrentes do seu infortúnio casamento

Os sentimentos eram muito claros. Desde aquele dia em que o sapo faminto recusou alimentar-se daquela linda abelha que voava próximo às taboas do córrego. Foi a paixão a primeira vista. Ele não estava entendendo muito bem, toda a fome havia sumido só de vê-la por um instante. O perfume do brejo parecia acentuar-se a medida que a pequena voadora batia suas asas sobres as flores, espalhando todo aquele maravilhoso cheiro de flores com mel.
Ele sabia que seu nome só podia ser Mel e também sabia que ela não o notara ainda. No entanto o destino muitas vezes nos da oportunidades que não podemos deixar escapar. Quando a pequena Mel voava delicadamente pelo brejo, espalhando o pólen e o glamour que aquele pequeno córrego jamais tinha visto, uma armadilha: a aranha. Sua teia a pegou de jeito. A chegada do fim parecia  irremediável. Foi  quando apareceu o herói. O sapo pulou do meio das folhas úmidas espirrando água por todo o lado e quase como um passe de ballet lançou sua língua certeira na pavorosa aranha. No meio do caminho pensou que resolvia duas coisas com uma só. A fome e a pequena Mel.
A abelha o notou. E logo caiu em amores. Eles olharam bem fundo e:

- Roobéti – disse o batráquio, todo cheio de si
- Bzzzz Bzzzz – zumbiu a pequena listrada, com a delicadeza dum violino desafinado

Infelizmente eles não podiam se comunicar. Mas isso não os impediu. Casaram-se. Isso foi a muito, muito tempo.  E então surgiram os Sapo-Abelhas, que espirram mel ao invés do usual veneno e se tornaram uma iguaria fina para as sobremesas, principalmente na região da Guatemala. E as Abelhas-Sapo que são altamente venenosas e extinguiram a população de aranhas na África.